Meninos de três anos, nascidos em Cabo Verde, receberam transplantes de fígado em Coimbra

Pediátrico recebeu baptizado de gémeos Wilson e William

Os gémeos William e Wilson nasceram no arquipélago de Cabo Verde. O calendário mar- cava 17 de Janeiro de 2009. O Hospital da Ribeira Grande, na ilha de Santo Antão, foi palco da exteriorização da imensa felicidade vivida pelo casal Etelvina e Domingos, pais dos dois meninos.
Três dias após o nascimento, a mãe apercebeu-se que algo não estava bem com os seus «meninos». «Detectei que es-tavam amarelos», contou Etelevina, antes de informar que «foram para a incubadora qua- tro dias». Depois, a mãe teve alta e foi para casa, mas os gémeos, já com um mês de vida, continuavam «muito amarelos». Perante o quadro clínico, o regresso ao hospital em Santo Antão tornou-se inevitável. Seguiu-se, então, a transferência para outro hospital, na ilha de S. Vicente, onde permaneceram durante dois meses, antes de serem «evacuados para Portugal por causa da doença» dos gémeos.
Wilson foi o primeiro a receber o transplante de fígado, no passado dia 22 de Setembro, no Hospital Pediátrico de Coimbra. Alguns dias mais tarde, a 8 de Outubro, foi a vez de William. «Está tudo a correr bem», confidenciou a mãe, admitindo que, ao longo deste tempo todo, «há muitas coisas que custam», incluindo «estar longe de casa», antes de reviver alguns dos passos dados: «eu viajei primeiro com os meninos, mas, um ano depois, pedi ao pai para vir, porque não estava a aguentar».
Ontem, foi dia de festa. Os gémeos foram baptizados na capela do Hospital Pediátrico. Ao colo da mãe, William portou-se impecavelmente no instante em que sentiu a água na cabeça. Quanto a Wilson, seguro pelo pai, não teve problemas em protestar, mostrando todo o seu desagrado por sentir a cabeça molhada. «São feitios», deixou escapar, cumplicemente, a mãe.
Capelão do Hospital Pediátrico, o padre Pedro Freitas lembrou que «o baptismo vai dar mais sentido à vida destes pequenos», realçando, contudo, que «não cura doenças».
Quanto aos padrinhos, o padre, que informou que, «dentro de um mês, o altar que estava no antigo Pediátrico deverá estar colocado na nova capela», avisou: «os padrinhos não dêem presentes, mas estejam presentes».
Quem esteve no baptizado dos gémeos foi Agostinho Almeida Santos. O antigo presidente do Conselho de Administração dos Hospitais da Universidade de Coimbra e professor catedrático jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra é, recorde-se, cônsul honorário de Cabo Verde em Coimbra.

Regresso a Cabo Verde antes do Natal era “o melhor que nos podia acontecer”
Longe de casa, as saudades apertam, sobretudo do filho mais velho, Kenny, de 19 anos, que ficou em Cabo Verde. A presença em Portugal de Mamónica, a filha do meio, minimiza o sentimento tipicamente português. «Ainda não há previsão nenhuma para voltar a Cabo Verde», afirmou Etelvina (na foto), antes de prosseguir com a certeza que «passar o Natal em casa era o melhor que nos podia acontecer».

João Henriques, Diário de Coimbra